soneto descompassado
- difícil carregar o vento nas hélices dos lábios...
não julgue minha sede que matou onde nasceu a fome,
não maldiga o peito em sortimento, ainda que o ignore -
digo, esses negros cabelos ainda encravam sob as unhas
e espetam cada nervo desta minha voz aguda:
- em vibrato - cada órgão, como se ressuscitado,
orquestra para serenar aquele músculo descompassado.
a hesitante do tempo esfacela um doce vindouro,
pois tudo o que destila de teus olhos, arde,
nos cabelos e na língua que tripudia uma verdade.
mea-culpa te engendrar no claustro desta fábula,
mas terno é o que o acaso brinda - e desata –
nas veias que, agora, gangrenam sob a mesma mácula.


